quinta-feira, 23 de julho de 2009

United killers of Benetton



Creio ter publicado anos atrás este texto no site Fazendo Média e o encontrei reproduzido num blog.
O título é o que vai lá em cima, United killers...


Ficamos assim: eu mato os azuis e você os brancos.
Os brancos? Nunca vi, nessa brincadeira, quem gostasse de matar os brancos. Eu é que não vou matar.
Pensando bem, também não tenho conhecimento de que nessa brincadeira tenham matado algum azul. Eles são os nobres da brincadeira. Só podem ser mortos quando todos os outros já tiverem sido. Mas nunca alguém foi tão longe nessa brincadeira. Não serei exceção. Vamos matar os de outras cores.
Quais?
Os amarelos.
Os amarelos, não. Os amarelos ficam lá do outro lado. Por enquanto nos concentremos nos que estão aqui a oeste.
Pois já sei. Nós dois mataremos os pretos.
Já tem muita gente matando os pretos. Vamos matar os pardos.
Os pardos? Pois, sim. Acho que os pardos estão de bom tamanho. Mas como a gente identifica um pardo?
Aqueles que têm uma tonalidade de burro quando foge ou cor de fresta são os pardos.
Não será muito difícil identificá-los. À noite todos os gatos são pardos.
Mas não estamos procurando por gatos.
Estamos procurando por quem?
Todos aqueles que a gente não gostar e forem pardos. Menos os gatos.
E se eu não gostar de gatos?
Eu sei que você gosta de gatos e tem um grande interesse neles, até cria um.
Diríamos que aprendi a conhecê-los, depois a gostar deles.
Então, essa brincadeira fica mais excitante quando a gente não demonstra interesse algum em conhecer aquilo que se aniquila, basta, apenas, discriminar uma cor, botar na cachola que não gosta dela e pronto: sair à caça. Funciona assim, de acordo?
Ok. Aniquilemos então os pardos. Não queremos conhecê-los e também não gostamos de sua cor.

Sofrer  degolas  diárias  nos  faz  criar  cada  vez  mais  artérias. Nunca  tem  fim. A  vida  é  vermelha. A  crueldade é  branca. O  azul...