sexta-feira, 30 de outubro de 2009

De prêmios e de sáfios.

A escritora Mayra Coelho


Tenho a honra de postar aqui que a minha colega de oficina, Mayra Coelho, ganhou o prêmio de publicações da Fundação Cultural de Curitiba. O livro No lado avesso moram as asas foi um trabalho que Mayra começou a desenvolver na nossa oficina de criação, no ano passado, e que terminou neste. Fico aqui todo orgulhoso do talento demonstrado pela Mayra e por tantos outros que passaram pela nossa oficina. E também feliz pelo grande amigo Emerson Pereti, que foi premiado com o livro de poesia Poemas de 3000 anos. Li alguns poemas, e o Emerson para mim está já entre os grandes poetas jovens deste país onde a poesia anda sofrendo de mediocridade e vazio extremos. E também onde a prosa é feita buscando os GPs Brasil, ou seja, os Grandes Prêmios Literários do Brasil. Onde me parece atuar uma mafiazinha de jurados, inclusive com gente daqui mesmo de Curitiba. E assim seguimos por estas plagas de araucárias tristonhas, com o fim da lei do Mecenato, que não sabemos direito o que vai ser nem como e quando vai voltar. Seguimos também sem programa estadual para a cultura. Aqui pelo jeito é mesmo a terra da agricultura. Da Monocultura. Contudo, deixo meus parabéns ao amigo Mauro Tietz, coordenador de literatura da Fundação Cultural de Curitiba, com seus programas de leitura, oficinas de criação, casas de leitura, biblioparque e muitas outras coisas. O Mauro sim é um verdadeiro agente da cultura. Mais cinco como ele nesta cidade cinza de pensamento, estaríamos salvos. De resto, a cultura vai se esvaindo em mãos inadequadas para segurar e assegurar um futuro com mentalidade menos rudimentar para nossa cidade que adora mesmo é comprar carrrrrro novo e ir ao shopping, ou correr numa exposição de robótica no parque Barigui, lá onde podem buscar por inteligência artificial, já que neuronial, nessa terra, está um tanto difícil, soma-se a isso, claro, a falta de vontade local para engendrar bons programas culturais e tirar esse povo da inércia dos parques depressivos e de um ecologismo fake. Verdade é que nas plantations, na monocultura da República do Paranaguai, sempre chega a hora da poda, não é? A hora do lucro sem constrangimento, num estado rico mas que ainda não pensa seriamente em cultura. Comer pratos alemães e ucranianos e italianos e japoneses e etc. etc. etc. é o grande orgulho cultural de uma capital debilitada em seus pensamentos para uma política pública cultural eficaz e que gosta mesmo é de se alimentar da gastronomia e do folklore caipira europeu de grupos de dança e outras chatices aplaudidas pela classe média que cola em seus carros adesivos com brasões da alemanha, da itália, da moldavia, da molvania, da parânia, do rio grande sul é o meu país e etc. etc, etc.. Verdade é que quem planta come, não é? E aqui só se come, não se pensa. E aí, meu caros e meus carros, quem paga caro, e recebe escarro, é a inteligência. E, por fim, por fim, por fim, safam-se os sáfios.

Desatualizado

Depois de um mês vagando por aí, no mundo, continuarei atualizando este blog. Já que desde agosto ele não é alimentado. Tem umas coisas pra colocar aí. Fotos e textos. Mas ainda ando preguiçoso.

Sofrer  degolas  diárias  nos  faz  criar  cada  vez  mais  artérias. Nunca  tem  fim. A  vida  é  vermelha. A  crueldade é  branca. O  azul...