Lei do Mecenato de Curitiba agora proíbe, na área literária, a confecção de "Coleções". Assim mesmo, entre aspas. Isto se verifica nas atrasadas normas complementares, que saíram só dias depois do Edital. Será que fizeram isso porque surgiram coisas interessantes como a Coleção Antena, da Kafka, ou a coleção da 1801, de poesia, do Alexandre França, ou mesmo a trilogia do Karam, escolhida, assim como a Antena foi em 2008, entre os melhores projetos editoriais deste ano pelo guia cultural da Folha de S. Paulo? Voltemos então a publicar livros de autor com um cedezinho acompanhando. Acho que foi porque mostramos que com o mesmo dinheiro que muitos fazem um livro, nós fizemos cinco, depois três, todos com excelência gráfica. E o França, dois bem acabados na linha de poesia.
Curitiba, assim, se mostra cada vez mais fascista. Retrógrada. E quer engolir seus próprios filhos. É uma ótima cidade para se morrer, diríamos. Após uma embolada geral que fizeram com o edital do Mecenato do ano retrasado 2009, que saiu em 2010, com a data de 2009-2010, mas valeu para 2010, agora temos esses tipos de imposições que não explicam seus por quês? Depois que isso aconteceu com o Mecenato de 2009-2010, acabei perdendo um projeto de Oficinas de Criação Literária (edital de Análise e Criação)para 2011, com edital feito em 2010, pois me disseram que eu já tinha dois projetos no ano, de 2010, um de Ações de Leitura e um do Mecenato, 2009-2010, que é uma coleção de novelas (esclareço: pela lei só se pode ter dois projetos por ano, ou dois do mecenato, ou dois do fundo, ou um do fundo e um do mecenato). Na verdade, o único trabalho realizado desses em 2010 foi o de Ações de Leitura. A Diretora da Lei, Ana Maria Hladczuk, me informou que eu deveria escolher entre o mecenato aprovado e as Oficinas de Criação (edital em que meu projeto foi o melhor pontuado). Fiz então minha escolha, contudo, enviei junto à minha opção pelo projeto da Lei(minha escolha), um carta em protesto mostrando alguns pontos que eu havia achado falhos no processo. Uma carta foi ao Presidente Paulino Viapiana e outra a Ana Maria. Contudo, não tive sequer uma linha de resposta. Como se nada houvesse acontecido. A política do silêncio e da imposição é o que de melhor se faz em Curitiba e em políticas de caráter autoritário. Depois, claro, o inimigo é eliminado. De uma vez ou aos poucos, vai sendo estirpado do corpo do sistema. Não posso aqui afirmar que essa medida tomada no edital do Mecenato em suas normas complementares foi em retaliação àquele que andou fazendo, no mínimo, boas "coleções" de livros, lançando autores e recuperando obras. E não preciso dizer que sou eu, em parceria com Luci Collin, e agora também com Assionara Souza, essa pessoa, a que realizaou tais coleções, das quais a Fundação recebeu cerca de 1000 livros como contrapartida, ou dai para mais, que serviram para abastecer e atualizar ainda mais as estantes de suas bibliotecas com obras de bom nível literário. (Devo ainda citar como realizadora das coleções minha grande amiga e profissional, Dalcia Lessnau, que controla tudo com mãos de ferro para que nada fuja ao controle em nossos projetos, e tudo sai redondo, e essa pessoa, Dalcia, também está sendo afetada no processo). Porém, se não for mesmo nada pessoal, da parte da Fundação, então eles que deem um justificativa aceitável para que não se possa mais fazerem "Coleções" de livros na área literária do Mecenato. Mas acho que não vão fazê-lo. Vão silenciar. Como se nada estivesse havendo de suspeito. Se não houver mesmo, por favor se pronunciem, caros membros da Lei. É só o que pedimos, ou, ao menos eu, sozinho, peço. Deixo claro aqui que não lamento (pois não gosto do chororô que impera na Curitiba daqueles que só esperam e não se mexem para nada) pelos projetos que não poderei fazer, mas pelo modo como as coisas são feitas e decididas arbitrariamente. Se tiver de deixar Curitiba para continuar a fazer cultura, vou deixar. Com a certeza de que aqui poderíamos fazer grande coisas. Grandes projetos. Gente para isso não falta. Porém as cabeças no poder são fracas, intectualmente limitadas. Espero que esse modo de operação sinistro não seja levado à Secretaria Estadual da Cultura. Pois é perigoso, ao menos para a literatura o é,a literatura que já viu seu melhor evento dos últimos anos cortado sem explicações, o Curitiba Literária, com edição única em 2007, mas com promessas de reedição pela presidência. E agora o que vemos é a Fundação dar seu aval a bienais de livro dentro de shopping centers, em que para entrar o público paga e os nomes dos escritores a serem convidados são sempre os mesmos. Os mesmos de fora. Num formato de debate anacrônico e no mais das vezes visando apenas o "entretenimento" e, como consequência, o puro "sucesso comercial". Desse modo concluo que Curitiba, ao menos na cultura, não gosta mesmo é do debate intelectual, de cotejar ideias. Pois assim fica tudo como está. A mediocridade impera. Os intelectuais, sobretudo os mais jovens, não possuem espaço de atuação junto à formação de políticas culturais públicas, tudo está em velhas mãos cheias de calos e vícios geradas numa atmosfera de parco poderio intelectual. Cultura em Curitiba é coisa para político, não para quem faz cultura. Os agentes culturais da cidade deveriam levantar a voz. Mas acho que cada um tem seus interesses. O meu só posso dizer que é fazer. Só me deixem, ou nos deixem,os que querem, fazer. E que os políticos da cultura se limitem a assinar documentos que nos possibilitem fazer bons projetos culturais que deem a devida projeção cultural a uma capital com baixíssima projeção cultural, que é a nossa, pois muitas vezes Curitiba é a representação perfeita da casa de um novo rico, cheia de carros caros na garagem e nenhum livro na estante. (Sei que muitos dos meus próprios amigos vão discodar disso, da nossa baixa projeção cultural, mas a realidade é mesmo um sapo gordo e azedo na hora de ser engolida. E para mim não é menos gorda e azeda). Ou então que esses políticos passem o bastão para quem tem um espírito mais empreendedor, vivaz, que queira levar a coisa para frente realmente. Porém, eu não devo me esquecer: cultura é poder. E o lugar de políticos, mesmo dos mais incultos,é no poder. Não devo nunca me esquecer disso. Não devemos. Mas escrever contra, falar contra, cobrar posições, esclarecimentos, isso devemos.
Para finalizar, espero que a nova presidente da FCC, MARIA CHRISTINA DE ANDRADE VIEIRA, faça uma melhor intermediação entre produtores, intelectuais, artistas, membros da FCC e sociedade do que ultimamente se vinha fazendo.
Cabe aqui um PS de Paulo Sandrini:
A Lei de Incentivo fez tão bem o processo dos editais do ano passado que eu, mesmo forçado a desistir do projeto aprovado no Edital de Análise e Criação Literária, continuo lá, está lá o meu nome, como o candidato mais bem colocado.
Veja em Resultado Fmc 2010, no site da FCC, no link
http://www.fccdigital.com.br/leidoincentivo/textos.asp?id=36
onde surgem os itens abaixo:
Resultado final do Edital n.º 094/10 - Análise e Criação Literária, anexo Edital de convocação publicado em 10/08/10.
Edital n.º 175/10 - Resultado Análise e Criação Literária
Edital n.º 159/10 - Convocação Análise e Criação Literária
Clique na última linha, no site, e verá que meu nome não foi retirado de lá. Para a sociedade eu continuo como um dos ministrantes das Oficinas de Criação. E como fica isso, hein, pessoal da Lei? Será que devo cobrar a assinatura do meu contrato, pois ainda sou dono da vaga, ou não? Ao menos no que o site veicula, ainda sou. Quando promoverem a limpeza, por favor, façam o serviço completo. Ok?
Paulo Sandrini,21 de janeiro de 2011.
Até.

Pois é amigão! Mas o que fazer? So mesmo uivando, como um lobo solitário. Se serve de emplasto, vamos tomar um cafezinho? Ou uma aspirina, pode ser?
ResponderExcluir3372-3075 como tens olvidado!
Abração, queridão!
Miya, querido, volto lá pelo dia 10 à Curitiba, estou fora o mês todo. voltando vamos tomar um café sim. tem ligo sem falta. abraço grande
ResponderExcluirA situação não é das melhores.
ResponderExcluirdesolação em cwb
oi Paulo! Gabriela, da rádio Educativa! gostaríamos de entrevistá-lo sobre o mercado editorial de Curitiba. se puder, entre em contato: 41 3331-7410 ou jornaleducativa@rtve.pr.gov.br, preciso do seu telefone. obrigada!
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