terça-feira, 15 de março de 2011

KARAM NÃO JUNTA PÓ


Ao professor e escritor, que se aposenta da vida acadêmica, é chegada a hora de arrumar as tralhas de seu gabinete. Agora, é viver só para escrever e também cometer alguns pequenos delitos, claro. Com muito, muito tato o professor e escritor seleciona os livros que levará consigo e aqueles que, talvez, por falta de qualidade literária, ficarão relegados à madeira velha da mesa do gabinete. Pensa ele, Não posso levar todos; os ruins e também alguns dos melhores, visto que estes últimos muito me incomodam. No dia seguinte, um outro professor encontra aberta a porta do gabinete do professor e escritor (este, agora já bem aposentado e feliz e livre para poder produzir mais e cada vez melhor; sim, cada vez melhor seus romances morosos, sucesso entre a mentalidade crítica estagnada no século XIX) e lá, sobre a mesa do "gênio", encontra alguns livros de um outro, esse sim um escritor genial, que chacoalha a poltrona dos acomodados: Manoel Carlos Karam.
Então, resta ao professor recolhê-los e afagá-los como merecem. Mas uma coisa não é necessária, tirar a poeira deles. Pelo simples motivo de que livros como os de Karam jamais ficarão velhos para juntar pó.

Sofrer  degolas  diárias  nos  faz  criar  cada  vez  mais  artérias. Nunca  tem  fim. A  vida  é  vermelha. A  crueldade é  branca. O  azul...