(Aos coroneizinhos um abraço do urso que é amigo da onça)
Quero publicamente agradecer a todos que estiveram ontem no Jokers, para o lançamento da série Livros que não param em pé, com obra de Assionara Souza, Luci Collin e deste que cá escreve. Foi muito bom ver a casa lotada, cheia de boa energia, quebrando nosso estigma autofágico. Foi uma celebração, celebração pela literatura, não pela politicagem literária.
Não vou citar os nomes que estavam lá com o risco de deixar gente querida de fora. Todos vocês (e vocês sabem quem são), que ali estiveram, fizeram a noite ser mais esperançosa, ao menos para mim que estou nessa luta pela nossa literatura há alguns anos. Nossos recursos são modestos. Mas creio que com eles vamos tirando umas montanhas do caminho. Foi muito bom ver por ali os novos ao lado dos artistas mais experientes, sentados por vezes à mesma mesa, sem empáfia, sem aquele “fingir que nunca viu”.
Lançar qualquer produto cultural em Curitiba não é uma facilidade. Não temos imprensa, não temos crítica, não temos jornais e revistas de literatura e arte, os canais de distribuição praticamente inexistem. Porém, o pessoal de um modo ou de outro está fazendo. Tenho que ser franco sem ser demagógico: temos uma boa lei de cultura municipal, que precisa ser discutida ainda em alguns aspectos com os dirigentes, com os produtores e também com a sociedade que é quem recebe esses produtos, mas que é um recurso que bem aproveitado rende frutos muito maduros. Recebi ontem mesmo um CD duplo lindo das mãos da Edith do Wandula, produção de primeira, música de primeira... feita com lei de cultura. E muitas outras coisas acontecem nesta cidade. O fato é que os produtores precisam dialogar mais, se encontrarem e pensarem soluções. Cinema com literatura, teatro com cinema, teatro com literatura, dança com cinema e teatro e literatura, artes plásticas com dança e literatura e cinema e etc etc etc. Precisamos utilizar os nossos espaços para dar vazão a vozes que vêm sendo represadas por alguns grupos (ao menos na literatura isso acontece) que teimam em achar que em Curitiba não existe nada. E são essas pessoas que vão fora daqui dizer que por aqui só há escritores (no caso da literatura) conhecidos nacionalmente e o resto não existe. São esses que chamam os nomes da cidade para tapar buraco em seus eventos quando as “grandes estrelas” de fora não podem vir. São esses que tomam as instituições públicas para fazer política de vista grossa. Que fazem curadoria de eventos à base do copy and paste da programação do evento anterior que eles mesmos fizeram. São bienais. Feirinhas de literatura. Salõezinho e etc etc. Só falta um chazinho cultural promovido por essas verdadeiras tiazinhas reprimidas e autoritárias da cultura. Será que essas pessoas não percebem o mal que fazem à cultura? Ah, sim, eles percebem muito bem. São assassinos de talentos; não, pessoas da cultura. Eles querem o poder. Mas é um poderzinho débil que só serve para massagear o ego de idiotas que se autoenganam e se auto-promovem.
Cá, do meu lado, eu afirmo que sempre jogarei num time que não vende sua ideologia. Se for para ocupar posições, as minhas sempre serão contra esses projetos dos pequenos fascistas. E o pior é que são pessoas inteligentes, teriam tudo para fazer coisas mais generosas pela cultura local. Mas no fim só querem auto-promoção. “Eu estarei hoje com não sei quem...”. “Hoje eu viajo para discutir literatura com não sei quem” e nheco nheco e blá blá blá. Isso pra mim não é cultura é (desculpem o termo) punheta de nego xarope.
Sei que a partir deste texto minha figura pode ser cortada de várias coisas por aí. E já estou sendo cortado. Mas não ligo para isso. Sinceramente, se ligasse estaria fazendo o jogo da vaidade (jogo de playground de escolinha particular, diga-se de passagem) que eles tanto gostam e praticam. Sempre que me dão um tapa na cabeça eu levanto e faço mais e melhor. Essa é a ideia que deve permear nossas mentes. Mais e melhor. Se querem reduzir nossa cultura a três nomes, infelizes deles que desconhecem as bases da própria cultura, e não sabem que as pessoas se mexem, se movimentam, produzem e vão por aí levar o nome do nosso lugar de enunciação que é Curitiba, sem margens aqui ao provincianismo. Provincianismo que é coisa de gente medíocre, de coronelzinho que quer reinar sozinho.
Para fechar: agradeço novamente a vocês todos. Vocês quando unidos são uma força gigante.
Se os espaços muitas vezes se fecham para os daqui, busquemos alternativas. Se a imprensa não fala, dane-se a imprensa. As redes sociais são fortes, os blogues, os sites: tudo está nas nossas mãos. Essa gente-coronel é anacrônica, não estarão aí para sempre, nós vamos durar mais que eles. Eles cuidam de atirar no próprio pé. A cegueira faz isso.
Quero dizer ainda que a Kafka está enviando gratuitamente livros seus, feitos com dinheiro público, por meio da lei municipal de incentivo à cultura, para cerca de 500 bibliotecas deste país e também do exterior, para levar outros nomes da nossa literatura pra esses lugares. E, claro, a literatura da nossa cidade que já tem grandes nomes como Jamil, Karam, Leminski, Dalton, Wilson, Valêncio mas que também tem visto surgir outros como Emerson Pereti, Mayra Coelho, Joana Corona, Lindsey Rocha, Irley Thiago, Edson Falcão, Luiz Felipe Leprevost, Fabiano Viana e etc etc etc...
Adianto que temos pela frente outros livros de autores daqui em processo de edição. Do Severo Brudzinski, do Antonio Cescatto, do Paulo Venturelli, da Regina Benitez (recuperação de seus livros), do Emerson Pereti, as peças de teatro do Karam, e os novíssimos que ainda não saíram em livro, caso do André Knewitz, João Paulo Partala, Irley Thiago e etc. etc. etc.
E tenho que completar: ninguém vai impedir que o que fazemos seja lido. Uma pessoa que pegue nossos livros lá em Alhures do Sul e leia sem jogo de interesse, terá realmente valido muito mais a pena do que ganhar dez páginas de um veículo de comunicação. Podem nos cortar de vários locais e instituições e eventos, mas jamais cortarão nosso ímpeto. O que eles têm chama-se medo do debate de ideias, ideologia e intelecto.
Obrigado aos amigos. Aos verdadeiros.
Aos coroneizinhos um abraço do urso que é amigo da onça.
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