terça-feira, 21 de outubro de 2014


Eu gosto das pessoas
(mãozinhas em coração)

Hoje, pensando na existência humana, descobri que minha paixão é mesmo o ser humano. Eu realmente gosto das pessoas. E eu gosto das pessoas porque as pessoas fazem coisas muito complexas que só elas fazem do modo que fazem justamente por serem pessoas. Por exemplo, eu gosto das pessoas porque elas têm olhos com pálpebras pra piscar. Incrível. Sim, e também gosto das pessoas porque elas comem. Fantástico. Elas fazem digestão num ato involuntário. Veja que capacidade, não precisa nem refletir sobre o ato. Simplesmente as pessoas fazem. E, na maioria das vezes, o fazem extrema, extremamente bem. Outra coisa que surpreende, e que eu descobri hoje, pensando muito na existência humana, é que as pessoas, essas pessoas por quem eu me apaixonei e que são todas as pessoas, as pessoas podem segurar um palito de dentes e levá-lo até o meio da boca, lá, bem no lugar em que se acham os dentes. Isso tudo durante a digestão. Digerir e palitar os dentes. Uma capacidade que só as pessoas do gênero homem, pois humano vem de homem, têm. As mulheres, apesar de o nome ser humanidade que vem de homem, as mulheres também estão dentro dessa perspectiva humana de homem. E eu descobri também que gosto muito muito muito mesmo de mulheres. As mulheres são as melhores do gênero, pois elas engravidam dos homens que fundaram a humanidade e com isso têm o poder de fazer nascer as mulheres e os homens que continuarão a missão humana na Terra que é a de dar sequência a tudo o que é do homem. E também das mulheres. Das mulheres e dos homens. Esses dois humanos juntos formam um par perfeito. E é por essas qualidades indeléveis que eu devo agora dizer que amo as pessoas porque elas nem precisam pensar pra erguer um dedo. Não fazem esforço, na maioria das vezes, nem para respirar. E isso é muito, muito importante, pelo fato mesmo de que se as pessoas fossem incapacitadas para a respiração, se elas não fossem bem treinadas nisso, nessa modalidade humana de alto desempenho, elas, as pessoas, estariam mortas. Respirar. Isso me faz amar você, amar os ditadores, os conservadores, o pessoal de extrema direita. Por quê? Porque você, eles: respiram. E tem mais: descobri que as pessoas têm o poder de não precisar refletir com profundidade sobre uma questão séria: o crescer das unhas e dos cabelos. Isso as pessoas fazem bem até depois de morrer, perceba. Depois de mortas, as pessoas continuam, por certo tempo, produzindo unhas e cabelos e outras coisas com cartilagem, isso tudo sem precisar pensar e muito menos estar vivo. Uma pessoa morta tem muita utilidade. Homem morto é adubo. Eu amo a agricultura orgânica. Eu amo tudo que vem dos órgãos humanos. Os excrementos. O adubo. Tudo isso representa a capacidade humana de transformar as coisas que entram pelo corpo. Representa a capacidade humana de gerar um produto. Sim, a produtividade humana é algo de uma beleza inclassificável. Ver uma pessoa produzindo seja lá o que for me emociona. Pode ser urina. Catarro. Saliva. Lágrimas. Podem ser também outras coisas que a gente nem precisa pensar pra produzir. Dentro dessa perspectiva de produção involuntária estão as bombas e as armas. Estão as minas terrestres. Estão as doenças criadas em laboratório, essas que de tempos em tempos surgem pra dizimar uma parte da humanidade pra que a outra parte, a que resta, possa viver melhor e com mais espaço. As pessoas são boas. Elas morrem sem saber por que morrem. Mas quando morrem, com essas doenças de laboratório, quando morrem de bombas e armas de fogo, elas estão sendo muito úteis. Gosto das pessoas, sobretudo porque elas morrem dessas coisas produzidas involuntariamente para salvar a humanidade e dar espaço aos que não morreram ainda. Eu também amo as pessoas que ainda não morreram. Claro, amo todos de modo incondicional. Amo as pessoas. Amo porque as pessoas estão sempre produzindo. Estão servindo, mesmo que não saibam (e isso é apaixonante), estão servindo a alguma causa. Ou a várias. Se forem várias tanto melhor. Isso mostra que as pessoas justificam uma proposta muito firme da humanidade, que é o barato do ecletismo. Ecletismo também existe de modo involuntário. As pessoas têm uma grande capacidade de gostar de muitas coisas diferentes ao mesmo tempo. Por exemplo, as pessoas podem gostar do Hitler e do Papa. De jazz e pagode. Podem gostar do Luan Santana e de Bach. Da Ivete Sangalo e de Wagner. De Ricky Martin, passando por Adoniran Barbosa, Beatles e David Guetta. A humanidade ama muito os Beatles. O que se justifica porque os Beatles são mais amados do que o Cristo que foi uma cara pra lá de boa praça, pois morreu pelos homens da humanidade em geral. Pra salvar a humanidade em geral. Os Beatles são a face de deus composta por quatro faces. Deus é um clássico. Todo mundo gosta. Desde pequeno. É involuntário. Sim, seu pai gosta e sua mãe também gosta, então geneticamente você tem grandes possibilidades de gostar. O ecletismo é genético. E divino ao mesmo tempo. Divino porque nos faz entender, e entender muito bem, por que as pessoas podem gostar de Pollock e Romero Britto ao mesmo tempo. Dos Beatles e do Paul McCartney em carreira solo. Gostar do Pink Floyd sem o Syd Barret. Dos Pistols sem o Sid Vicious. Dos Smiths sem o Morrissey e o Johnny Marr. Tudoaomesmotempoagora. E tudo, tenho certeza disso, tudo é sempre por uma causa humanamente enorme. É por isso que as pessoas que eu amo e que são todas as pessoas, é por isso que elas inventaram sem querer as religiões. Pra poder exercer involuntariamente o ecletismo religioso, que reside no fato de produzir bombas e rezar a deus pelos semelhantes. Que reside em pagar salário mínimo e dizer que a empregada é um membro da família, da família com religião. Tudo isso é ecletismo, percebe? E é apaixonante. E as religiões têm o poder também de fazer com que a humanidade de homens e mulheres seja transmitida à própria humanidade nas uniões perfeitas entre mulheres e homens e homens e mulheres, entre o gênero masculino e o gênero feminino, entre o falo e a vagina, entre o esperma e o óvulo. ETC. Et Cetera cabe aqui com letras maiúsculas porque representa toda essa variedade de união entre as pessoas que só as religiões permitem e jamais condenam. As religiões surgem de atos involuntários por parte das pessoas porque nem é preciso pensar muito pra ver que muitas questões estão resolvidas na perspectiva das religiões. A união entre homens e mulheres é um assunto resolvido. Mas também faz parte do ecletismo de certas religiões a pedofilia. Faz parte do ecletismo religioso levar bombas no corpo e explodir o corpo e tudo ao redor, junto com a bomba, por uma causa humano-religiosa. Dentro dessa perspectiva de explodir o corpo para explodir o outro entra uma questão profunda de alteridade, que é a base da bondade humana das pessoas que eu amo, a alteridade de amar o outro mesmo detonando o outro. Mas também tem o lance de alteridade que é o destino manifesto, que é o sentimento de responsabilidade sobre o destino do mundo, das pessoas, e eu amo essa alteridade toda, pois quando a alteridade do destino manifesto entra em comunhão com o sentimento de alteridade do cara que leva a bomba no corpo isso se torna uma comunhão perfeita, pois o cara do destino manifesto leva bombas em aviões, em navios, arma minas terrestres e “agrega” valor ao trabalho “diferenciado” do homem-bomba. E também, quero ressaltar, tem o lance maior da alteridade, do fazer pelo outro, que é o que fez o Cristo. Ele foi pra cruz e salvou as pessoas, as pessoas todas de que eu gosto. Depois disso, depois do Cristo, a gente pode crucificar o outro também pra que tudo fique melhor pra algumas pessoas, isso se chama alteridade. Eu amo, amo e amo toda essa alteridade. Toda essa autoridade da alteridade. E, vejamos, todo esse amor, esse ecletismo, essa alteridade, essa crucificação, tudo isso é involuntário, bem como é caminhar. A gente caminha sem pensar. As pessoas podem caminhar sem pensar. Podem fazer tudo isso que eu disse antes sem pensar, é pura essência, boa, que a humanidade traz consigo desde sempre. E nessas caminhadas, sem pensar, elas, as pessoas, entram por vezes em caminhos tortuosos, sim, claro, mas eu quero exaltar o fato de que na maioria das vezes as pessoas entram por caminhos de vitórias. De sucesso. De reconhecimento. De superação. São trilhas que as pernas traçam involuntariamente rumo a um futuro promissor pras pessoas de sucesso. Eu gosto das pessoas de sucesso. Eu amo as pessoas que falam em gestão, logística, planejamento, objetivos, foco, metas, lucratividade e liberalismo. Ou seja, tudo aquilo sobre o que nem precisamos pensar pra pensar sobre: vitória. O homem humano que inclui o gênero mulher é um vencedor, e só anda pra frente. Segue adiante, não importa se esteja sofrendo, com dores nas pernas, pois as pernas nos levam ao sucesso, involuntariamente. Involuntário também é bater palmas. Eu amo as pessoas porque elas aplaudem tudo sem precisar refletir sobre. Elas aplaudem a beleza da vida representada na figura do George Soros, que elas nem conhecem, mas acham que a beleza da vida reside nos pensamentos para o homem produzidos por George Soros. Mas aí também pode entrar a beleza do espiritismo, que nos faz crer que se estamos sofrendo na face da terra (o nome disso é expiação) é porque isso é uma forma de melhorar o espírito para que na próxima encarnação esse espírito volte mais desenvolvido. Um espírito de primeiro mundo, primeiro mundo dos espíritos. Então, é bonito pensar que a gente pode ver uma pessoa miserável na nossa frente e lhe virar as costas pelo fato de estar ajudando essa mesma pessoa-espírito em seu processo de desenvolvimento, e atrapalhar isso não é um ato de amor. E, geralmente, pouca gente atrapalha, mesmo não sendo espírita. Kardec foi um cara foda. Sim, o ser humano, espírito, deve se fuder pra melhorar. Veja que pensamento foda. Se fuder resolve a própria fudição humana para a próxima encarnação. Por outro lado, há aquelas pessoas que eu amo porque elas aceitam que uma encíclica papal tipo a do Leão XIII, a Rerum Novarum, diga que é preciso aceitar que os mais ricos continuem os mais ricos e os mais pobres continuem os mais pobres porque é a vontade de deus. Ou coisa assim. Evitar a luta de classes com as encíclicas papais é evitar uma guerra. E evitar guerra é um enorme ato de amor. Por isso, reafirmo, eu gosto das pessoas, dos humanos, porque sabem como evitar genocídios por conta das religiões involuntárias e boas. Que são criações involuntárias dos homens de gênero humano que inclui as mulheres.
  E retornando aos atos mais complexos da humanidade, quero dizer que ver uma pessoa coçando a orelha é sublime, e se ela estiver usando uma haste com algodão na ponta pra isso a imagem fica ainda mais linda. Linda também é a atitude dos meganhas que em vez de coçar a orelha dos bandidos com hastes com algodão na ponta eles as coçam com palitos de fósforos acesos, e jogam pra dentro do ouvido dos bandidos, o que é uma ação que perfura o tímpano dos mesmos bandidos. Sorte do bandido, ouvir voz de prisão seria bem pior. Ou correr o risco de uma nova constituição que inclua a pena de morte para, inclusive, ladrões de galinha e menores de 12 anos. Por isso é que ainda não temos pena de morte em nossa constituição. Pela bondade da polícia em perfurar os tímpanos dos bandidos em vez de condená-los à morte, condená-los a ouvir voz de prisão, ou ainda dar uma morte lenta com espera no corredor da morte que é promovida pela própria pena de morte. Isso me faz perceber como a humanidade é humana e pensa no outro de modo extremamente humano. Eu amo as pessoas por essa complexidade toda. As pessoas no geral são boas.

Eu que passei a noite toda acordado, olhando pela janela vi pouca gente na rua, na verdade não vi nenhuma e senti falta de ver uma pessoa pra gritar da janela que gosto dela, incondicionalmente, involuntariamente, extremamente. Mas agora a rua já vai se enchendo de pessoas com as caras amassadas, andam de braços cruzados por causa do frio, com frio do frio e com o frio do sono. Eu amo as pessoas porque elas sentem o frio. Eu amo as pessoas, sobretudo pela manhã , pois têm um rumo certo. Elas vão produzir. Produtos. Produtos humanos. Entre esses as bombas e as armas e as minas terrestres. Doenças de laboratório. E como eu sou gente também, eu posso afirmar: eu me amo. E grito da janela: Eu amo vocês, gente.

 Está na hora de eu também sair para produzir. E meu trabalho é urgente. É de amor à humanidade. Vou ao estacionamento, abro o porta-malas do carro. Está tudo ali. Tudo de que preciso pra hoje. Será uma explosão de alegria e amor pelas pessoas. Todos vão sentir. Involuntariamente. E vão gostar de mim, que sou gente que gosta de gente.

  



Sofrer  degolas  diárias  nos  faz  criar  cada  vez  mais  artérias. Nunca  tem  fim. A  vida  é  vermelha. A  crueldade é  branca. O  azul...