segunda-feira, 30 de maio de 2016

Entrevista que concedi para a revista Pessoa, um dos maiores portais  de literatura de língua portuguesa da atualidade.
O tema: utopia.

http://www.revistapessoa.com/artigo.php?artigo=2040

quinta-feira, 11 de junho de 2015

A busca da felicidade como valor (de troca) via Detox

Paulo Sandrini



  
Outro dia, entrei numa padaria, próxima a um hospital, e lá estavam algumas médicas antes de entrar no plantão da manhã. Todas elas com garrafinhas de Detox em mãos, depois nas bocas. Detox é bom em jejum, explica uma delas. Limpa o organismo e faz emagrecer — completou outra. Meu dia começou então com mais uma promessa de felicidade e satisfação à vista: o Detox (sucedâneo da era Botox?). O produto, assim como o budismo, o espiritismo, o Santo Daime (essas novas e não tão novas crenças da classe média em busca — apenas metafórica, é bom que se entenda — de um Nirvana na Terra) nos oferece a paz, sim, oferece, tanto do organismo, quanto da alma. Isso indubitavelmente nos traz mais alegria, energia vital, felicidade. Cuidar bem do corpo, podemos dizer, é um novo valor, digo novo porque ele veio com mais força nos últimos tempos, e estamos em uma época de verdadeiros seres com corpos Olímpicos; não, de esportistas, mas com inspiração nos deuses do Olimpo que Hollywood passou a criar em cativeiro e espalhou, em parceria com a indústria da moda e dos produtos de beleza e higiene, pelo mundo. Deixar que nos cuidem da alma é outro valor em voga.  Não somos que nós cuidamos, atualmente vivemos a terceirizar nosso desenvolvimento anímico para coisas como autoajuda, espiritismo, budismo, Santo Daime, Botox, Ioga. E apesar de tudo estamos perdendo cada vez mais a consciência da morte, talvez por isso a felicidade alienada seja possível (mais ou menos assim já dizia o pessimista Emil Cioran). Ou mesmo a morte desapareceu da perspectiva da vida moderna, como alertou Octavio Paz. As religiões cristãs mais convencionais, com suas técnicas de sofrimento em vida para ganhar o paraíso depois da morte, estão em baixa entre a classe média alta e entre a elite intelectual e financeira. A elite intelectual, hoje, junto da classe média, seja talvez a maior deformadora de opinião, pois também ela, a elite, acredita numa vida Detox baseada num certo orientalismo religioso, ou mesmo em ritos  primordiais pagãos  como forma de felicidade com valor de troca, pois sendo feliz, realizado, eu não incomodo o mundo com meu pessimismo crítico (vale para os intelectuais). Eu apenas me realizo e ajudo a realizar o mercado, a carreira, a alteridade apenas como forma de aliviar o meu carma (caso do espiritismo) e não o do outro (sendo bem básico mesmo). Já os budistas parecem preservar mais os bichinhos do que as pessoas, e, com isso,  sem se darem consciência, parece, parece, (risos), reforçam a nova onda de felicidade com animaizinhos de apartamento defecando por tudo e deixando um cheiro horrível para apreciação dos vizinhos, fora os latidos esganiçados em horário de silêncio. Ainda: uma formiga tem o mesmo peso para a vida na terra que um ser humano. A purificação via Detox explica.

O Detox por outro lado não desintoxica os preconceitos e as más intenções, por mais que nos esforcemos em nossas purificações. Se não estamos mais felizes, por exemplo, com a nossa democracia, tentamos lançar um Detox no organismo da Constituição para que se possa introduzir nela a possibilidade de uma nova ditadura. O espiritismo, o budismo e Santo Daime (paciência) não reforçam de todo nosso desenvolvimento anímico quando a gasolina sobe e a distribuição de renda com incentivo público continua. Aí, somos prejudicados em nosso projeto de felicidade. Somos frustrados em nosso grande projeto de Nação Feliz. A igualdade não necessariamente gera felicidade. A meritocracia precisa continuar, tanto no mercado quanto nas questões de purificação via Detox ou via crenças no Santo Daime e em Alan Kardec ou em Buda. O acesso nunca será para todos. Cada um com seu carma. E cada um acha um modo de ser feliz, dependendo de sua condição existencial, material e de mérito. A igualdade promove felicidade para alguns e indignação para outros. É bem verdade. O Detox existe para purificar nossos fígados contra o que se dão bem, também é verdade.

Mas também diremos: o Detox nasceu pra ter tudo, tudo a ver com a vida baseada em alimentos orgânicos que leva ao desenvolvimento intelectual e a uma alma purificada, elevada e evoluída, e que por isso mesmo precisa de consciência ambiental e corporal (meu corpo é minha maior ponte entre mim e o mundo – pode ser o mundo dos espíritos, claro, dirão outros). Toda essa consciência da saúde do corpo, da alma, essa consciência ambiental exacerbada (enquanto levamos embalagens plásticas das garrafinhas de água mineral para formar montanhas na Índia, e em breve também as garrafinhas de Detox), essa consciência também  precisa, e sobretudo, ser contra a existência da morte, e só nesses termos a morte é lembrada: como algo a ser ao máximo evitado. É a morte como próprio esquecimento da morte a servir de princípio para a vida eterna na vida carnal. Na vida Detox, animizada com animaizinhos do budismo, com alminhas boas do espiritismo, com o equilíbrio antipsicopatia da ioga, com o veneno bacana dos indígenas consumido pelas gentes dos grandes centros em busca de elevação para além dos arranha-céus.


quarta-feira, 18 de março de 2015

ANTA

 

Estou criando um movimento de direita. É a ANTA: Associação Nacional dos Tapados Antidemocráticos. Compre nossa camiseta, o boné e uma panela. Kit completo: US$ 250,00. Temos ainda faixas de protesto com erros de ortografia e com ideias confusas (US$ 350,00, kit com três erros em três faixas diferentes ou uma faixa só com 9 erros). Se você não é branco, temos pó de arroz da marca Anti-radicais livres (só contra radicais da esquerda), preço: US$ 40,00. Ainda, buzina para carros não populares que solta um mugido de vaca pra você usar nas manifestações tão populares quanto um Audi tt: preço: US$ 999,00. Pacote com todos os periódicos da editora Abril e com todos os canais do Sistema Globo (esse combo é mais barato, US$ 3,00 a cada seis meses). Camiseta da seleção brasileira com o nome do Ronaldo Fenômeno (US$ 1,00). Bonequinho do Bonner, R$ 2,00. Kit com bandeirinha do Brasil, pen drive com todos os hinos do Brasil, além das "melhores" narrações de Galvão Bueno, extras: Tema da Vitória e bonequinho do Ayrton Senna (apenas US$ 491,00). Passagens sem volta para Maiame, no Estados Unidos das Américas (de graça). Oferta especial: adesivo "Verás que um filho teu não foje á luta, mas foje da escola" (45 adesivos: US$ 10,00). Soldadinhos de chumbo: Médici, Geisel, Figueiredo entre outros, só US$ 55,00. Livro da Constituição com inclusão do parágrafo que confirma a constitucionalidade da Intervenção Militar (edição de luxo, limitada: US$ 638,00, com cartão HSBC fica por só 750). E tem mais, muito mais. A ANTA está surgindo com a força do povo, do povo com focinho comprido. Em breve, nossa manifestação nas ruas das cidades brasileiras. Política: nós vamos meter o focinho e mostrar que viemos para dar um basta nisso tudo que está aí, só precisamos saber direito o que é que está aí. "ANTA: a gente se vê pastando por aqui."

terça-feira, 10 de fevereiro de 2015

O Estados Unidos das Américas é o lugar (e deixa Maiame em paz)


Eu sempre sonhei em conhecer o Estados Unidos das Américas. Quando eu era pequeno eu via os super herói do Estados Unidos na tv e no cinema e sabia que eles iam salvar a humanidade. Eu via Nov’Iorque com um monte de arranha-céu e achava que tudo aquilo de prédio só podia ser coisa duma gente muito superior a nós, que tamém somos gente, mas não como são os cidadões do Estados Unidos das Américas. Eles são superior. São mais alto, mais forte e mais bonito que nós tudo daqui.  Por isso é que eu ia gostar muito que o Brasil continuasse se chamano Estados Unidos do Brasil, com uma bandeira listrada de verde-amarelo e com um monte de estrela, igual do Estados Unidos das Américas, que é o Estados Unidos de verdade. Aí a gente daqui ia ser mais bonito, mais alta e mais forte. Ia ter super herói pra salvar o mundo e ajudar os super herói do Estados Unidos a salvar o mundo. Ia ter mais gente quereno salvar o mundo não só os americano do Estados Unidos das Américas.
O Estados Unidos é um lugar muito sério. Eles do Estados Unidos cuida muito bem da população deles lá do Estados Unidos. Lá num tem miséria. Lá tudo é perfeito. Lá tem Maiame, que é a cidade que eu passei a gostar. Quando eu cresci e ganhei um bom dinheiro trazeno coisa do Paraguai, eu descobri que podia trazer (e levar) tamém de Maiame. Eu amo Maiame. Os brasileiro tudo gosta de Maiame, que é um lugar tipo meio latino, que tem muito latinos americanos e tem sol e tem umas praia. Por isso é que eu digo hoje em dia que Nov’Iorque deixou de ser o lugar melhor do Estados Unidos. Porque lá tem os latinos americanos tamém mas num tem tanto sol nem se parece tanto com o nosso país na questão acerca da natureza. Só uma coisa que atrapalha Maiame: é Cuba. Cuba é um perigo. Lá tem os comunista que ameaça a paz mundial, que ameaça o comércio mundial, que atrapalham a política mundial dando universidade, médico, escola primária pra população. E ainda tem tanto médico que eles exporta esses comunista pra nós do Brasil que num é mais Estados Unidos do Brasil. Foda. Cuba é um perigo e ainda por cima é o pior lugar de Maiame. Eles de Cuba pensa diferente do resto do povo de Maiame. O povo de Maiame é um povo que rala, que num quer nada de graça, nem médico. Tanto que uma coisa que eu gosto muito no Estados Unidos é que eles num têm saúde pública. Transporte público tamém num existe muito. As universidade as pessoa paga a vida toda. Os americano do Estados Unidos já nasce com dívidas e isso é bom porque daí as pessoa sempre vai trabalhar e sempre vão produzir. Produzir é tudo de bom. Eu produzo trazeno muamba de Maiame e do Paraguai. Mas no Paraguai tem muito índio e eu acho que os índio tudo são uns vagabundo que querem terra de graça. Quando os espanhol e os português oferecero emprego pra eles, eles fizero corpo mole. Aí teve que ter escravidão.  E a culpa da escravidão é dos índio. Europeu num teve culpa de nada. Nem o Estados Unidos que tamém foi vítima dos índio e teve que ter escravidão. Índio só serve pra criar poblema. O Paraguai é um poblema. Se eu fosse do Estados Unidos eu fazia como fez a Inglaterra e ajudava o Brasil e a Argentina mais o Uruguai tudo junto a acabar com o Paraguai, que é um mal exemplo pro mundo por causa dos índio. A Bolívia tamém é outro perigo. Lá tem muito índio, e o pior: tem um índio de presidente. E lá na Bolívia eles gosta de cocaína. E eles ajuda a vender cocaína pro Estados Unidos, matano os jovens e acabano coas família decente e religiosas do Estados Unidos. Dá até pena ver como os lar das família do Estados Unidos fica destruído por causa da cocaína desses índio maldito.  Os índio da cocaína quer acabar com o Estados Unidos. Os índio são mal. O Estados Unidos é um lugar prejudicado pelo mundo todo. Eles do Estados Unidos só querem ajudar a humanidade. Quando tem uma guerra eles corre pra ajudar. Eles ajuda com armas, com dinheiro, com boa vontade. Eles derruba os ditador, como aconteceu, por exemplo, no Chile. Lá ajudaro o povo chileno contra a ditadura do comunismo de um tal de Salvador Ale... Allen... Aaaa. Sei lá, num lembro. Só sei que esse viado morreu com uma arma que o amigo dele comunista deu pra ele e esse amigo comunista era o Fidel de Castro. Um homem que castra os cubano. Ao mesmo tempo que dá tudo de graça pros cubano. Mas todos sabe que os cubano, no fundo do fundo, quer é trabalhar e por isso eles está em Maiame. Eu particularmente num gosto muito de cubanos em Maiame. E tamém num gosto dos médico cubanos. Eu ouvi dizer que eles fazem uma tal medicina preventiva. Um lance tipo: se adiantar antes das doenças. E isso acaba com a indústria de remédios. Isso gera desemprego no mundo. Isso acaba com a boa vontade da indústria de remédios. Esses cubano... E ainda cria vacinas até contra o câncer de pulmão. Isso só piora tudo. A indústria de remédio vai quebrar no mundo inteiro por causa de uma ilha do Caribe, uma ilha comunista que fica em Maiame. Porra. Vai se fuder, cubanos. Deixa Maiame em paz. 
E tem mais, o Estados Unidos luta contra o afundamentalismo dos muçuhumanos, que só são terrorista e num tem nada de humano. Outro dia eu ‘tava num aeroporto da Europa, porque hoje eu posso viajar apesar do governo comunista que o Brasil implantou aqui vindo de Cuba, eu vi um brasileiro esclarecido num aeroporto de Istambul falano pro filho dele assim, quando o filho dele disse que tentou visitar a sala de orações dos muçuhumano no aeroporto mas num dava porque os muçuhumano tava tudo lá deitado, as mãe e as criança tudo jogado no chão e portanto num dava nem pra entrar,  aí o pai disse pro filho que devia era fechar as porta tudo e tacar fogo naquela gente, um bando de terrorista. Nessa hora eu pensei que o pai ‘tava é certo. Porque essa gente dos muçuhumano são contra o Estados Unidos. Eles jogam avião no Estados Unidos. Derruba os arranha-céu superior do Estados Unidos que tem uma gente superior perante as outras gente do  mundo. O Estados Unidos ajuda o mundo desde que o mundo destruiu o mundo na segunda guerra que envolveu o mundo, que compreendia mais a Europa em si mesma e o Estados Unidos propriamente em si. A gente do Brasil era pereférico. Ainda a gente é pereférico. Nós num quer dizer muita coisa pros europeu superior e o Estados Unidos superior. A Europa é outro lugar que eu admiro, porque lá tudo é perfeito. Num tem essa decadência daqui do Brasil, essa imoralidade de mistura das raça, de mistura das cultura diferente. O que é diferente tem quem continuar diferente sem se misturar. Eu gosto da Europa porque a Europa é um bom exemplo: gente branca é gente branca e qualquer outra gente num é aceito. Isso se chama política de estado. E o Estados Unidos tamém faz essa mesma política. Cada cor no seu lugar. Cada raça no seu curral. Entende? Isso é organização. Comprometimento. Isso é responsabilidade. O Estados Unidos se num fosse ele o Estados Unidos o mundo tinha perdido a guerra mundial pro Hitler. Apesar de que eu acho o Hitler um cara correto. Ele tinha princípios. Tinha uma luta contra as perversões. Devia é ter se unido co’ Estados Unidos mas não, foi se unir co’ Musseolino e coa japaiada. E italiano e japa é tudo raça inferior. Eu digo isso porque italiano e japa num é do tronco germânico, foi o que um amigo meu que se chama Arianista me disse. E ele tem os zoio azul e é branco e alto e mais bonito do que eu. Então eu aceito o que ele disse. Mas retornano ao Estados Unidos, se num fosse eles do Estados Unidos o mundo tinha perdido a guerra mundial pros alemão. Por isso eu acho que o Estado Unidos tem direito a mandar nas coisa. A ser tipo um maestro do mundo. Tem mesmo que mandar na economia do mundo. Tem mesmo que mandar as tropa pra pegar os muçuhumano desumano. O Iraque hoje tá muito, mas muito melhor que na época do Sadam Rousseff. Que tem um nome parecido com o do satam. Satam Rousseff. Ele tinha as arma química. Ele ia judiar dos americano promoveno ataque ao Uorldi Trêidi Center. Ele ia destruir os metrô de Londres, que é a segunda cidade mais maior do Estados Unidos. Eles muçuhumano ia matar o Jean Charles, que era brasileiro. E foi culpa dos muçuhumano que o Jean Charles morreu. A polícia de Londres que veio da Inglaterra só quer manter a paz. Os povo do Estados Unidos viero da Inglaterra tamém. Os Inglês e os do Estados Unidos têm o mesmo sangue. Têm a mesma intenção de manter a paz. Aí ficam xingando os do Estados Unidos de imperialista. Mas eles faz tudo certo dentro do país deles pra sociedade deles. Quem faz a lição de casa tem moral pra mandar que os outro faça tamém.
E agora tem essa Rússia de novo torrano o saco do Estados Unidos. Por causa lá da Ucrânia. O Estados Unidos quer defender a liberdade da democracia e os russo quer demonizar a democracia, a democracia da Ucrânia que agora entrou no caminho certo, que agora tem um partido dos cara da direita que uns comunista aí chama de extrema direita. Chama de nazista. Eu num acho. Se eles fosse nazista o Estados Unidos num ia apoiar. Pois o Estados Unidos nem apoiou o Hitler. Nem o Musseolino. É tudo acusação sem fundação que fazem com o Estados Unidos. Mesmo a bomba atômica. Tudo é contra o Estados Unidos. Tudo é mentira que falam do Estados Unidos. Eu sei. Eu vou pra Maiame. Eu tenho passe livre em Maiame. O povo do Estados Unidos é sério. Leva tudo direitinho. Persegue os mexicano. Mas é porque os mexicano querem os emprego do povo do Estados Unidos. Mas os mexicano tamém é tudo índio, e já disse que índio é perigoso. Os índio sempre ameaçano a terra do Capitão América, do Supermeim, do Homem de Ferro, do Batchmam. Mas num adianta, um país que tá coalhado de super herói que tem a coragem de vestir a cueca por cima da calça é um país de coragem, de fibra, imbatível. Nem adianta os índio cercar o Estados Unidos. Os índio da Bolívia, do Paraguai, do México, nem esses porra de índio do Brasil. Tem mais é que expulsar.  Mas não deixar na Amazônia, porque a gente brasileiros num sabe cuidar do que é nosso. Deixa o Estados Unidos tomarem conta das nossa floresta. Eles têm norrau. Eles têm a boa intenção que falta em nós do Brasil. Internacionalização da Amazônia já. Este país nosso tá um buraco. Fede. Um buraco de merda. Tem índio, tem pobre, tem essa gente do Haiti chegano. Eu num suporto. Sou a favor de mandar de volta. Aqui tem que ser uma terra da prosperidade e da fé. E esses haitiano faz bruxaria de vudu. Cruz em credo. Eu sou do bem. Sou cristão. O Estado Unidos tamém são cristões. Num gosto de coisa do diabo, de exu, dessas coisa do mal. A gente tem quer sermos um lugar do bem. Preservar a nossa integredade de moral.
Sabe, eu digo isso porque ando leno muita filosofia. Ando leno o Olavo de Carvalho. Ele é meu guru. Ele fala pra gente não sermos idiota. Eles abre nossos zoio. Ele fala com o coração. Ele sabe do que tá falano. Ele é a nossa voz. Ele é nosso tudo.
Por tudo isso é que eu num suporto que falem mal do Estados Unidos. Quem tenta proteger o mundo tem que ser difamado? Tem? Num tem. Agora ficam falano que querem que essa nojeira toda da Petrobras continua nas mão do Estado, querem que os comunista acabe com tudo. Seno que o certo é deixar a Équisson, que é uma empresa do Estados Unidos, tomar conta daquilo que nós não sabe cuidar. O Estados Unidos das Américas tem que nos ajudar. Esses dias eu assinei um documento pedino a intervenção da Casa Branca no Brasil, pra ajudar nós no impitchmente dessa mulher que governa nós, essa vaca, essa vadia, essa ordinária que acabou com tudo o que a gente tinha de bom que o governo do FHC deixou de herança pra nós que acreditava num país melhor. Hoje eu espero que o Estados Unidos faz uma intervenção séria n’aqui no Brasil. Senão imagina: a China de comunista, a União Soviética junto com a Rússia de comunista, o Brasil de comunista... Caraca, meu. Desse jeito num vou poder mais ir pra Maiame. Vão cortar relações com o Estados Unidos. E vou me fuder porque num vou poder trazer muamba de Maiame, nem levar uns pozinho pra lá. Vou ter que ficar com essas merda de Paraguai. Com esses índio da Bolívia junto. Com esses cubano. Os haitiano. Com essas mistura de raça e religião. Cruz em credo. O Brasil precisa de mudança. Já. Primeiro começano pelo nome. Mudar pra Estados Unidos do Brasil. Chamar o filósofo Olavo pra presidente e convocar a classe média pra dar tiros nos comunista parasita deste país. Tem que convocar as força do Estados Unidos pra ajudar nós. Sabe por quê? Porque o Brasil, o Brasil tem arma química. A presidente vai atacar o Estados Unidos. Ela é prima do Satam Rousseff. Vocês num enxerga? O sobrenome é igualzinho, merda!
Porra, vamo ajudar o Estados Unidos a fazer um mundo melhor. E vamo nos posicionar neste mundo de comunista. Aqueles grego filho da puta agora inventaro a onda de serem comunistas. Vai fuder ainda mais o mundo. Só podia mesmo. Tinha que ser mais uma ilha do Caribe pra acabar com tudo que o Estados Unidos ajudou a construir na civilização. Porra, que merda. Ô, ilhas grega, deixa Maiame em paz vocês tamém. Vai embora do Caribe. Caraio!


quinta-feira, 5 de fevereiro de 2015

Eu adoro cultura (vai uma maconhinha aí?)



Eu adoro cultura. Acho que a cultura é necessário. Sou um político e vejo a importância da cultura na vida da sociedade. A sociedade também é necessário.  As pessoas são parte da sociedade e a sociedade faz parte da cultura, ou não faz? Acho que faz. Sim, faz. Então. Por isso cultura é necessário no meu plano de governo. Afirmo que a cultura será disponível para todos no meu governo. Ter cultura é necessário. Estudar é necessário. Com cultura nós não brinca. O povo sabe da importância de ter cultura. Meus filhos que tiveram cultura sabem bem disso. Um médico e outro advogado. O mais novo, advogado, vai virar político. Ele tem cultura. Ele adquiriu na França. Mandei ele pra França pra tomar um banho de cultura. Me disseram que os franceses não gostam de banho de água e sabonete e xampu, mas eles gostam de banho de cultura. Meu filho viu a Monalisa. Foi o Picasso que pintou, não foi? Ah, certeza que foi. Meu filho disse. Então, ele foi estudar lá depois que se envolveu num acidente com mortes. Disseram que ele foi culpado. Mas não esperei pra saber se ele era ou não possuidor de culpa. Culpa é necessário pra gente se reconciliar com a sociedade. Meu filho foi se reconciliar na França. Liberdade, igualdade e fraternidade. Esses papos, sabe. Coisa de francês. Eu particularmente não gosto disso. Acredito que as pessoas têm que ter mérito. Bandido tem que ser preso, sem liberdade e de preferência com pena de morte. Os pobres podem e deve competir com os ricos por igualdade. E fraternidade?... Bem, cada um escolhe seu irmão, creio que a liberdade funciona melhor aonde a gente pode encontrar nossa fraternidade nos irmãos que são da mesma classe que a gente, do mesmo nível, entende. Eu acrescento à Liberdade, Fraternidade, Igualdade, eu acrescento a Cultura. Com C maiúsculo. Por isso, eu já tenho até o nome do meu novo secretário de cultura. Ele passou por várias experiências empresariais, de gestão, logística, aplicação na Bolsa de Valores. Ele tem valores muito sólidos, sabe. Tudo de bom pra cultura, ele. Ele e a cultura são necessário um pro outro. Meu secretário da cultura entende de cinema. Viu até uns filmes do.. Do... Ah, daquele diretor francês. Sempre francês, porque daí as pessoas acham que é bom. É francês é bom. Mesmo o queijo com cheiro de chulé se for da França tudo mundo gosta. Queijo é cultura. A França é cultura. É tanta cultura que às vezes matam gente que faz cultura pra diminuir um pouco a gente que faz cultura de tanta gente que tem. É o caso do Charlie Abdul (Abdul, né?). Mas meu secretário, falando mais dele, ele também entende de teatro. Ele adora espetáculos com anões. É a inclusão. Já falaram que ele era meio frique. Acho que é isso, frique. Eu não gosto particularmente de teatro. Acho que as pessoas fazem teatro pra ficar pelados. Pelados. Mas isso se chama liberdade de expressão. Eu respeito. Acho a liberdade de expressão necessário. Eu gosto muito do teatro que vi na escola de um dos meus filhos quando eles eram mais novos. Era um teatro educativo. Falava pras crianças do perigo das drogas, dos tarados (aqueles fdp que ficam na internet, os pedófilos), falava que a gente devia respeitar tudo mundo igual e não bater no amiguinho que volta na mesma van que elas as crianças que pagavam escola, não bater no amiguinho que tem bolsa 100% na escola deles, as crianças que pagam 100%, não bater no amiguinho que é filho do jardineiro da escola que alguns pagam 100% e outros não pagam 100% e ganha bolsa porque são os filhos dos empregados. Acho que isso é decente. Respeitar o filho do jardineiro sem bater nele é necessário. A escola promove uma consciência pras crianças. E apesar de achar a cultura necessário, acho que se a gente tivesse mais dessas escolas que uns pagam 100% e outros ganham bolsa 100% por serem os filhos dos empregados, a gente, com essa distribuição de bolsas em vez de renda, a gente nem precisava de secretaria, ministério da cultura. Só essas escolas que fazem teatro educativo, com inclusão dos filhos dos jardineiros, seria suficiente. E também penso na inclusão dos anões. O nome disso não é inclusão das minorias? Sim, das minorias menores. Mas falando do teatro...  Apesar dos atores só quererem ficar pelado, acho que o teatro educativo pode mudar uma sociedade toda.
Outra coisa que eu também respeito na cultura é aquela gente que lê. Falei pro meu secretário da cultura que vamos ter um jornal na biblioteca pública. Um jornal só pra literatura. Ele disse que já tem um carinha pra cuidar disso, lá na biblioteca pública. O carinha lê bastante. Escreve bastante. Lançou um livro sofrido. Pra gente chorar mesmo. Mas também o carinha dizem que é osso duro. Ele não vai publicar nada de gente comunista. Essa gente suja da esquerda.  Comunistas sujos. Isso acho bom. Temos que preservar a cultura. Livrar a cultura dessa gente que os outros chamam de gente politizada. Acho que artista politizado não combina. Artista tem que falar de coisas bonitas. Coisas leves, que enobrece nossa alma. Outro dia eu tava lendo o texto de um escritor que me deram o livro dele, e o texto eu não entendia nada, só que ele falava um pouco de uma história da política. Ele era da esquerda. Só isso eu entendi. Livro ruim. Mas também outro dia eu li um livro de um baixinho que escreve sobre amor e acidentes. Desse eu gostei, é mais normal. Falava de amor, apesar dos acidentes. Depois fui ver o baixinho num programa de tv dando opinião sobre várias coisas. Gostei do que ele falou. Ele atacou esse governo sujo de esquerda que está aí. Ele lia de um papel A4  as opiniões dele. Tudo muito sério e confiável. Desse eu gostei. Ele nos representa. Falei pro secretário que o carinha do jornal da biblioteca pública deve trazer esse baixinho aqui na capital pra falar pras pessoas daqui. Falar sobre amor e coisas bonitas. O mundo precisa de beleza. De coisa feia já chega o que os meus amigos políticos estão fazendo na política.
E se eu não falar de música, sei que vão falar mal de mim. Eu gosto de música também. Eu adoro música. Minha família adora música. Minha família toda adora. Somos cultos nesse aspecto que diz respeito acerca da música. Uma vez um amigo meu fez um elogio pra nós da minha família dizendo que a gente era... A gente era... Ecléticos. Isso. Ecléticos. É bom ser ecléticos. Gostar de um pouquinho de tudo. Por que é que a gente deve fazer diferença entre as músicas? Ouvir um pouquinho de sertanejo universitário, de funk, axé, pagode, rock... A gente só não gosta de música chata. Porque existe uma música que é chata, certo? Existe sim. Tem música que a gente não entende a letra. Não entende por que estão tocando daquele jeito que eles chamam de alternativo, experimental. Pra isso, somos conservadores em casa. Apesar da gente ser ecléticos. Não gostamos de música chata. Só isso. Acho que música boa tem que ser igual queném o livro do escritor baixinho que fala de amor e é contra a esquerda, é queném o teatro educativo da escola dos meus filhos que fala pra não bater no amiguinho filho do jardineiro que vai junto na mesma van que eles que pagam 100% da mensalidade, música boa tem que ser como o teatro que inclui as minorias menores, os anões, por exemplo.
De dança, eu sou suspeito pra falar. Confesso que não entendo nada de dança. Minha mulher podia falar melhor que eu. Ele já dançou num programa de TV famoso no país inteiro. Ela dançava num programa famoso que passava todos os domingos pro país inteiro. Eu lembro disso. Eu via as coxas dela na tv. Mas isso foi só até eu conhecer ela num coquetel do partido e ela se comprometer comigo. Aí casamos e ela parou de mostrar as coxas pro país inteiro. Portanto, acho cultura necessário. Conheci minha mulher por causa da cultura da dança das coxas que passavam no país inteiro.
Prometo ainda que vou incentivar a economia criativa. Por exemplo, incentivar a venda de quadros de arte na feirinha de domingo. Incentivar a venda de doces típicos da nossa região. Vou incentivar o gosto pela nossa indentedade cultural. Vou incentivar a moda. Mas tem que ter um limite, roupa que deixa as parte do corpo de fora... Ah... Isso a gente tem que pensar bem, gente. Olhem só o que pode virar nossa sociedade. Cultura bem feita respeita também as tradições, a família, a religião. Também vou incentivar a arte religiosa. Só temos que pensar bem nas coisas ligadas com o mal e que são contra Deus. Porque tem religiões que não fazem bem pra Deus e pros homens da sociedade em geral no seu todo. Meu secretário vai mandar colocar um edital no site da Secretaria de Cultura, um edital que dá chance pra todos os artistas, pra todas as religiões, culinária, moda, até pra agricultura, que também é cultura, não é, não? É sim. Eu sou um democrático e não um comunista que não gosta de Deus e acha que agricultura é algo pra se fazer no coletivo. Agricultura é direito de quem produz mais e melhor. Agricultura neste Estado é cultura. Grande Cultura. Vamos investir maciçamente em agricultura. No agronegócio. Na cultura de cana, soja, café, tabaco etc. As empresas produtivas que geram a renda deste Estado também vão poder fazer sua cultura com os editais que vamos colocar no ar no site da Secretaria de Cultura. 

Ultimamente os artistas vêm fazendo muitos manifestos porque eu cortei os apoios dos projetos culturais deles dois anos atrás. E agora acabei de cortar de novo. Mas já tem um edital novo. Se tiver dinheiro no caixa do governo, os artistas vão sossegar. Mas se a gente gastar mais do que pode com o agronegócio, com os prejuízos no setor de abastecimento de água, por exemplo, porque as empresas privadas não estão cumprindo a parte delas no negócio, aí eu tenho que cortar a cultura. Tenho que cortar na educação. É sempre assim. Nem tudo tem o mesmo peso, a mesma importância. Artista faz arte porque gosta. É dom. Gosto. E eu não gosto de artista reclamando. Eu gosto de cultura. Falei que gosto de cultura, não que gosto necessariamente dos artistas. Principalmente quando eles ficam fazendo protesto. Aí eu mando cortar todas as verbas. Chamo o Roberto Carlos pra fazer um baita show e o grosso da população aprova. Trago uma peça no teatrão da capital com uns ator de novela, e todo mundo aprova. Mando só trazer artista de fora pros daqui ficar chupando os dedo. Pago bem pros de fora. Os daqui ganham bem menos que 1/4, quando muito. Eu gosto de cultura. Gosto de Deus. Gosto do respeito da democracia. Gosto das crianças que respeitam o filho do jardineiro. Gosto do tema do amor. Paz e amor. Não é? Claro que é. Artista, porra, é tudo bichogrilo. Paz e amor, baby.
Vai uma maconhinha aí?