quinta-feira, 5 de maio de 2011

Texto feito para ser lido num veículo de comunicação local, mas que não vai ser. Então publico aqui no blog.




Bombardeio de La Moneda, em Santiago, 11 de setembro de 1973. Assassinato de Allende.





Onze de setembro de Primeiro de maio


Meu último 01 de maio foi como se fosse 11 de setembro: de 2001, em Nova Iorque; de 73, em Santiago. Assassinaram Bin Laden. Sua fortaleza, destruída por dois helicópteros estadunidenses. Dia 01 de maio foi 11 de setembro. Para mim, foi. Mataram o árabe porque, com dois Boeings, ele derribou o maior símbolo do capitalismo mundial: o World Trade Center. Num 11 de Setembro.
Em 73, dois caças Hawker Hunter bombardearam La Moneda e derribaram o socialismo na América do Sul. Fim das utopias. Início da passagem, sob as patas de chumbo dos militares, para o que vimos na década de 90: o terrorismo neoliberal, em que o cidadão foi trocado pelo consumidor.
Allende foi encontrado morto, solitário, com sua metralhadora, presente do amigo Fidel. Foi assassinado como se fosse terrorista.
Bin Laden era terrorista. E morreu como se fosse um. Seu corpo jogado ao mar, porém, contrariou a tradição islâmica, mesmo sendo o corpo de um terrorista (que tinha lá seus motivos para desgostar do Ocidente, ao qual ajudou a expulsar os russos do Afeganistão). Contudo, nada neste mundo pode contrariar o terrorismo do Destino Manifesto Protestante (WASP)estadunidense.
Richard Nixon, presidente norte-americano em 1973, que apoiou logisticamente e festejou o golpe de Pinochet, não foi assassinado como terrorista. E ponto.
Mas vamos lá, vamos resumir: foram seis aeronaves: quatro mataram dois terroristas, no Chile e no Paquistão. Duas mataram milhares no umbigo capitalista do planeta. O que inclui muitos que não merecem o adjetivo de “inocentes”. Foram três 11 de setembro (incluindo o 01 de maio de 2011).
Na verdade, creio que foram mais. O 11 de setembro virou, há tempos, símbolo moderno de massacres (de índios, negros, homossexuais, socialistas), de golpes de estado, corrupção, devastação ambiental, exploração no trabalho, marginalidade; e em alguns locais do planeta ele ocorre todos os dias: na África, na Ásia, na América Latina, no Oriente Médio e no Leste europeu.
Mas com os EUA, país salvador do mundo e algoz de Salvador Allende, não nos preocupemos: a crise já passa. Com base na exploração do resto do mundo chamado por eles, muitas vezes, de terrorista.

Pequeno Gianluca.