segunda-feira, 18 de maio de 2009

Por que o simples ato de lavar as mãos matou um grande médico mas nos deu um dos grandes escritores do século passado.

Dr. Semmelweiss

Para todo esse furdúncio causado pelo vírus H1N1 (gripe suína) recomenda-se, entre outras coisas, como forma de evitar a transmissão, o simples ato lavar as mãos. Mas saibamos que tal ato higiênico, aceito sem grandes questionamentos hoje, já foi em outros tempos motivo de muita dor de cabeça e muita loucura. Sobretudo para o húngaro Ignaz Semmelweiss. Foi ele, jovem médico nos meados do século XIX, quem deu um dos primeiros passos decisivos na luta contra as infecções bacterianas, mesmo sem saber ainda que se tratavam de “doenças causadas por microrganismos”. Ele foi a primeira pessoa de que se tem notícia a valorizar a importância de se lavar as mãos. O procedimento por ele idealizado foi a pedra fundamental para o início do processo de controle de contaminação em hospitais. O médico percebeu que o número anormal de mortes em recém-nascidos, numa das alas do Hospital Geral de Viena, era devido à transferência do que ele denominou de “partículas putrefeitas”. A transferência se dava pelas mãos dos médicos que realizavam necrópsias e também atendiam aos partos. Dr.Semmelweiss obrigou seus alunos a seguirem um rigoroso procedimento de higiene das mãos, reduzindo drasticamente a mortalidade dos recém-nascidos. Apesar dos resultados, a situação provocou a Semmelweis uma série de discussões, litígios, incompreensões, críticas e maledicência entre os colegas, que se opuseram à sistemática de higiene imposta, e se tornaram tão duras que levaram o jovem médico a abandonar Viena e a regressar à Hungria. Porém, nem na sua pátria a sua vida se tornou mais fácil. Semmelweis não sabia que o eco dos tumultuosos acontecimentos de Viena havia chegado até ali. Os distúrbios mentais, de que sofria, começaram a ficar cada vez mais graves. Até que um dia, num repentino acesso de ira enquanto fazia uma necrópsia, se feriu numa das mãos e, tal como com o seu amigo Kolletschka, a infecção daí resultante disseminou-se tão rapidamente ao braço, que Semmelweis veio a falecer do ferimento. (fonte: http://www.sbcc.com.br/revistas). Essa história do médico húngaro também pode ser encontrada num dos livros, aqui recomendado, de um dos grandes autores da literatura ocidental, o francês Louis-Ferdinand Destouche, pra quem não sabe: simplesmente Céline. O livro A vida e a obra de Semmelweiss (Cia. da Letras) foi tese de doutorado do escritor defendida na faculdade de medicina de Paris, em 1924. Antes de morrer, Céline confessou que foi essa tese que lhe deu a idéia de se tornar escritor. Vejam só: por causa do ato de lavar as mãos, perdemos o gênio Semmelweiss, ganhamos da febre puerperal, estamos empatando com a gripe suína (até agora), mas sobretudo, enfim, ganhamos um grande escritor (deixando de lado suas apologias ao anti-semitismo, é claro).

Sofrer  degolas  diárias  nos  faz  criar  cada  vez  mais  artérias. Nunca  tem  fim. A  vida  é  vermelha. A  crueldade é  branca. O  azul...